Vila Velha: O Melhor do Espírito Santo ao Lado da Capital Vitória

Por anos, a cidade de Vila Velha, segunda maior cidade do Espírito Santo, se viu ofuscada pela vizinha Vitória, capital e maior cidade capixaba.  Vila Velha, cidade mais antiga do Espírito Santo, fundada em 1535, quase sempre ficava em segundo plano quando o assunto se tratava de turismo.  Mas, nos últimos anos, com o desenvolvimento urbano de sua bela orla, a construção de hotéis e grandes shopping centers, e a redescoberta de atividades que evidenciam a exuberante natureza da região, Vila Velha soube decolar com seu brilho próprio. Não mais as sombras da capital Vitória, Vila Velha nada deixa a desejar a quem busca desfrutar de uma cidade moderna e cheia de encantos.

 

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Salto de parapente sobre o Oceano Atlântico

Durante muito tempo Vila Velha teve seu desenvolvimento limitado devido ao acesso precário que a unia a capital do estado. Antes da construção da Terceira Ponte que une Vitória a Vila Velha em menos de 10 minutos de travessia, e que hoje se encontra entre as pontes mais altas do Brasil, o caminho era longo e árduo.   Era necessário, para ir de uma cidade a outra, tomar o rumo do centro da capital e seguir por áreas duvidosas e cheias de trânsito intenso até a chegada a Praia da Costa, principal área costeira urbana de Vila Velha.  Esse percurso era longo, não muito seguro, e desencorajava o turismo à região.  Mas hoje, com a rápida ligação entre essas duas cidades, o que trouxe benefícios a ambas, as belezas de Vila Velha, que além de complementar uma viagem a Vitória, tem seu mérito próprio e já fazem da cidade um polo turístico.

Tradicionalmente o turista que vinha a Vila Velha fazia três passeios: a visita guiada à fábrica de chocolates Garoto, o banho de mar na Praia da Costa, e a subida ao Convento da Penha.  Os três passeios continuam imperdíveis, mas hoje contam com novidades que aumentaram ainda mais seu interesse.

A tradicional visita guiada a fábrica de chocolates Garoto sempre teve seu encanto.  Quem nunca foi fascinado desde a infância em passear por dentro de onde se processa chocolate, como brincou no imaginário o filme de “Willie Wonka e a Maravilhosa Fábrica de Chocolate”?  Na Garoto, maior fábrica de chocolates do Brasil adquirida pela gigante suíça Nestlé em 2002, é possível passear pelas estruturas de processamento do cacau até o feitio de bombons e barras de chocolate de segundas às sextas.  Deve-se observar o código de vestimenta (calça comprida, blusas de manga e tênis são obrigatórios), e não é possível fotografar as dependências durante o tour.  Mas é possível, e digamos obrigatório, provar chocolates nas duas paradas para degustação durante a visita. Ao final do tour, a lojinha da Garoto oferece produtos com desconto e hoje tem alguns itens exclusivos à venda somente nesta loja matriz.  O ingresso custa R$15.

A Praia da Costa, com sua faixa de areia dourada, grandes castanheiras sombreando o calçadão e mar aberto azul-esverdeado, tem sempre um cantinho para quem vem buscar o sol.  E sob o sol, a Praia da Costa oferece facilidades como ter um açaí batido na hora, ou um Sushi fresco preparado ali mesmo do outro lado da rua, debaixo de prédios luxuosos que foram construídos nas últimas décadas. Tudo muito prático para quem não quer perder nem um minuto ao sol.  Mas o grande barato em conhecer a Praia da Costa hoje em dia é poder contratar barquinhos de pescadores que, por R$10 por pessoa, fazem a travessia de menos de 1 quilômetro mar adentro.  A curta travessia leva pequenos grupos até a piscina natural da ilha de Pituã. Os mais aventureiros podem fazer essa mesma travessia a nado, desde que estejam  em boas condições físicas e aptos para lidar com a maré, que as vezes pode se tornar bastante forte.  Além da visão total da orla e dos morros da cidade, a ilhota de Pituã oferece uma pequena faixa de areia de onde se pode caminhar até as águas rasas entre as pedras que formam piscinas naturais de águas transparentes.  E quando o sol cansar, pois não há sombra na ilha, basta chamar a embarcação que fez o trajeto da ida pelo celular que em poucos minutos a travessia de volta assegura o retorno à terra firme.

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Praia da Costa

Já a subida ao Convento da Penha não para de encantar quem sobe as suas ladeiras de paralelepípedo.  De carro, ou a pé, a subida pelo penhasco de 154 metros de altitude por dentro da mata atlântica assegura a paisagem única da completa visão das duas cidades. A paisagem fica ainda mais acentuada pelo próprio convento, monumento arquitetônico que teve sua construção iniciada no século XVI no cume do penhasco. A mata ao seu entorno, degradada e devastada até a década de 70, hoje é verde e exuberante graças aos esforços do governo e da Companhia Vale do Rio Doce em reflorestar com espécies nativas toda a encosta.  O passeio encanta até os menos devotos com sua simples construção de paredes brancas caiadas.  Além do visual completo da capital, O convento traz a paz e serenidade de um mundo que parece ter parado no tempo e que tem seu próprio passo e ritmo desacelerados.

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Subindo a trilha do Morro do Moreno

A grande novidade em Vila Velha é que, nos últimos anos, se tornou possível visitar o belo morro ao lado do convento: o Morro do Moreno.  Mais alto do que o convento, e oferecendo ângulos dramáticos do Oceano Atlântico, da Praia da Costa e de praticamente toda a cidade de Vitória, o Morro do Moreno é destino aventureiro e já quase obrigatório a quem vai a Vila Velha. Desde esportistas que procuram fazer rapel por suas escarpas de granito, aos que procuram saltar de parapente do seu cume, ou aos que preferem caminhar pelas trilhas moderadas mata adentro, ou até mesmo subir por íngremes encostas, a visita do alto do morro é inesquecível.  Com o enquadramento correto das câmeras é possível ter a Terceira Ponte sob os pés e surgir como um gigante prestes a esmagar toda a estrutura de concreto da sólida construção. No topo do morro, para alívio de muitos após a subida, há uma área com bancos de madeira para descanso debaixo de árvores nativas de mata atlântica. Há também uma pequena construção onde é possível comprar água mineral e água de côco geladinhas e que fazem a caminhada valer toda a pena.

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“O gigante e a Terceira Ponte” ©👣2016

Unida a Vitória, ou como um destino em separado, Vila Velha é lugar que dificilmente decepciona.  Para quem busca beleza, tradição e aventura, e quer curtir belas praias aliadas a uma geografia exuberante, Vila Velha é sinônimo de turismo de qualidade, hospitalidade e de muita beleza e emoção.

 

E se sobrar tempo…
Vila Velha é compacta, então caminhe por toda a extensão da orla até as pedras finais que levam ao Morro do Moreno. Suba o Morro por este lado, pois a subida por aqui não requer tanto esforço e assim ganha-se mais tempo para depois conhecer o Convento da Penha na montanha ao lado. Escolha um dos muitos shoppings espalhados pela cidade para um açaí, um jantar, algumas compras, e se sobrar tempo, um filme nas modernas salas de cinema da cidade. Se puder, tome o rumo da Rodovia do Sol e explore praias mais selvagens e mais desertas como as da Barra do Jucú e de Itapoã. E continuando pela mesma rodovia, vá até Guaraparí, balneário animado no alto verão, e pacato o resto do ano, com belas praias e costumeiros turistas mineiros e capixabas.

 

*Gus Dantas, publisher gusdantaslife, subiu o morro do Moreno em janeiro de 2016 e sempre gosta de retornar a Vila Velha. Uma versão anterior desta matéria foi publicada em fevereiro de 2016.


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