Inhotim: Patrimônio da Humanidade

Já faz quase dez anos que tento arquitetar uma viagem a Inhotim.  Desde 2006, ano de sua abertura ao público para visitação, que acompanho a transformação do que pode ser descrito a primeira vista como um misto de parque ecológico e museu a céu aberto.  De acordo com o jornal The New York Times, Inhotim foi chamado de um vasto jardim de arte em meio as montanhas do Brasil em 2012, e mais recentemente, em 2014, como uma paisagem de fantasia com obras de arte contemporânea de calibre mundial.  Me arrisco a ir um pouco mais além para poder tentar colocar em palavras o que de fato significa Inhotim após ter finalmente tido a oportunidade de passar uma tarde no “parque-museu”.  Inhotim é algo único e especial, um verdadeiro patrimônio cultural e ecológico dedicado à Humanidade.

Sempre dizia que Belo Horizonte estava aqui ao lado e que poderia ir visitar a qualquer momento, então acabava priorizando outras viagens mais distantes e deixando Inhotim para uma ocasião futura.  Desde 2006, passeei pelos jardins e templos de Kyoto no coração do Japão, caminhei pelas muralhas da China, subí a Table Mountain pelas trilhas do Jardim Botânico de Kirstenbosch na Cidade do Cabo, visitei o Guggenheim de Frank Gerry em Bilbao no norte da Espanha,  e revisitei alas favoritas do museu Metropolitan em Nova York e do Louvre em Paris.  Mas nada de ir a Belo Horizonte e visitar Inhotim.  Amigos que me conhecem bem sempre diziam que iria gostar muito do passeio.  Via fotos e ficava imaginando como seria a vez da minha visita.

Finalmente 2016 chegou me trazendo a oportunidade de visitar um novo hotel na capital mineira.  Na mesma hora fiz planos para a tão esperada visita.  À medida que os dias se aproximavam da minha partida, a chuva na região só aumentava e minha apreensão em talvez não poder visitar Inhotim causava tremenda ansiedade já que o parque não abre em caso de chuva forte.  Dias antes da minha partida para a capital mineira o caos se instalou em Belo Horizonte com o fechamento do aeroporto de Confins devido a forte neblina e chuva, e com todos os mais de 200 vôos do dia cancelados.  No dia anterior a minha partida foi a vez dos aeroportos do Rio de Janeiro permanecerem fechados e terem a maior parte dos seus vôos também cancelados.  Algo me dizia que não seria desta vez que meu sonho em visitar Inhotim iria se tornar realidade.  No dia do embarque, depois de muito atraso devido ao remanejamento de passageiros do dia anterior, finalmente conseguí seguir em direção a Minas Gerais. A chuva e neblina haviam dado uma trégua e o trajeto até o centro da cidade após o pouso foi feito sem maiores transtornos. Check-in feito e quarto designado no décimo terceiro andar do hotel.  Talvez o 13 do andar do quarto fosse mais um sinal de azar e de que não seria mesmo desta vez que tomaria o rumo de Inhotim.  Antes de dormir chequei a previsão climática para o dia seguinte: chuva.

Contudo, quando abrí os olhos na manhã seguinte e ví tímidos raios de sol despontando no horizonte do fatídico décimo terceiro andar do hotel onde estava hospedado decidí que 13 seria meu número da sorte.  A medida que me arrumava, determinado a tomar o rumo de Brumadinho, cidadezinha a 60 KM de Belo Horizonte onde se encontra o parque, o tempo parecia estar me dando a chance de seguir em frente.  E assim fui ao encontro de um dos mais belos parques, museus, paisagens que já tive a oportunidade de vistar, sentir, olhar, tocar, e vivenciar dentro de todos os belos lugares que já conhecí mundo afora.

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Foram tantas as emoções que tive durante a minha visita a Inhotim que fica impossível colocar em poucos paragráfos todos os cantos onde sorrí, rí e dei gargalhadas.  Talvez fosse necessário dias para poder descrever todas as instalações e intervenções artísticas por onde circulei, olhei, toquei e interagí, desde aquelas onde franzí a testa, às que me fizeram parar e pensar, até aquelas que apenas me fizeram sentir algo bom e genuíno vindo de um lugar escondido no meu interior.  Poderia ficar dias descrevendo todas as plantas, vistas e paisagens que foram cuidadosamente desenhadas e arquitetadas para assim construir um mundo onde o artístico e ecológico se fundem de foma única e sem precedentes.

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Para se visitar Inhotim é necessário despir todo e qualquer conceito pré-determinado sobre o que é ou deve ser um museu, um jardim botânico, um parque, ou uma galeria de arte. Inhotim é um museu, um jardim botânico, um parque, uma galeria de arte.  Mas Inhotim é também muito mais do que a somatória de tudo isso.  Inhotim é um ponto único no mundo onde tudo se mistura e se confunde na mais perfeita harmonia do que é belo e sensorial.   E com isso Inhotim merece o título de patrimônio cultural e ecológico da humanidade.

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Gus Dantas, Publisher gusdantaslife, visitou Inhotim em janeiro de 2016 e uma versão desta coluna foi anteriormente publicada.


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