Belo Horizonte: A Capital Mineira na Mira Capixaba

Filho de mãe mineira e pai capixaba, sempre tive uma conexão forte com os dois estados.  Cresci à beira da praia morando em Vitória até terminar o colegial, mas nunca deixei de visitar minha metade mineira.  Praticamente durante todas a férias de escola tomava o rumo ao sul de Minas para explorar minhas raízes mineiras e visitar a família Medeiros, que aliás até hoje ainda vive na pequena Itajubá.  Íamos muito às montanhas já quase na divisa com São Paulo, no entorno de Campos do Jordão, onde a casa de campo da família reunia parentes de vários cantos para natais animados e cheios de delícias mineiras. O leitão assado, o queijo puxa-puxa e o doce de leite caseiro, em todas as suas consistências, se faziam sempre presentes na mesa com toalha de renda bordada a mão pela minha avó Siluca e minha tia-avó Nair.

Como sempre visitávamos o sul de Minas, foram poucas as ocasiões onde a viagem de férias de família me levou a capital mineira.  Mas lembro bem quando fui a primeira vez a Belo Horizonte.  Era ainda pequeno no final dos anos 80 e o calor abafado do mês de janeiro não era dos melhores para ajudar a causar uma boa primeira impressão à cidade. Como naquela época praticamente nada era climatizado, há não ser os hotéis, os grandes cinemas do centro e algumas lojas de departamento, o calor e a umidade presentes nas ruas transformavam nossas andanças pela cidade em uma verdadeira sauna a vapor.  Ficávamos ensopados já na primeira quadra após pisar fora do lobby do hotel.  As ruas cheias e mal cuidadas do centrão de BH, onde ficávamos hospedados, também não ajudavam muito.  Mesmo tendo sido uma cidade planejada ao final do século XIX, os anos 80 da inflação galopante e do crescimento desornado do fim da ditadura militar deixavam um ar de progresso caótico e de negligência à cidade.

Retornei algumas vezes a Belo Horizonte, como na década de 90 quando prestei vestibular a UFMG.  Lembro que durante essa época chovia tanto mas tanto que só me lembro de enfrentar as longas idas e vindas de ônibus ao afastado Campus da Universidade, eram dois na ida e dois na volta, e pegar uma forte pneumonia ao término da bateria de provas.  Nessa época a região da Savassi já era o point de comércio e agito noturno da cidade, e lembro que a marca mineira Vide Bula reinava no quesito jeans.  Dar uma olhada na loja da Vide Bula da Savassi era o endereço certo para checar as últimas tendências de moda.  É engraçado revisitar essa época nas minhas memórias pois se tivesse optado pela UFMG ao invés da UFRJ minha história hoje talvez fosse uma regada aos “uais” da capital mineira no meu modo de ser e falar, ao invés dos muitos “x” de um puxado carioquês.

Mas hoje é com todo o orgulho da minha metade mineira que posso afirmar sem pestanejar que Belo Horizonte é uma das capitais mais simpáticas, bem cuidadas, arborizadas e das mais habitáveis do nosso Brasil.  A sexta maior cidade do país se transformou e hoje desponta como uma das primeiras cidades planejadas do Brasil que soube se reinventar e se replanejar para a vida moderna. Seu excelente sistema de rodovias que cruzam e cortam a cidade impressionam logo na chegada, como por exemplo a estrada que liga o aeroporto de Confins ao centro, e que muito faz lembrar as rodovias de países desenvolvidos como as dos Estados Unidos e da Alemanha.  As ruas e avenidas arborizadas e os muitos parques que permeiam praticamente toda a cidade fazem de BH um verdadeiro coração verde. Seus diversos museus, a maioria gratuitos e instalados em belos palacetes restaurados do fim do século XIX, trazem um requinte cultural a capital como poucas outras no país.  O circuito cultural da Praça da Liberdade, por exemplo, hoje é considerado o maior circuito cultural do Brasil.  A arquitetura modernista de Oscar Niemeyer, que nos anos 40 desenhou a área da Pampulha, hoje brilha restaurada e preservada ao longo da lagoa do mesmo nome, que oferece quilômetros e mais quilômetros de gramados e jardins em uma grande área de lazer.  O sistema Move, transporte rápido por ônibus inaugurado em 2014, trouxe melhorias à organização do transporte de passageiros e às condições de trânsito da cidade.

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Pampulha

De acordo com a lista da ONU de Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em 2015 Belo Horizonte ocupa o vigésimo lugar, atrás de Vitória (quarto lugar) e Curitiba (décimo lugar), e bem acima de São Paulo (trigésima segunda) ou Rio de Janeiro (quadragésima quinta).  Contudo não há dúvidas que ao decorrer dos anos, com o desenvolvimento ordenado e sustentável que é evidente em Belo Horizonte, a capital mineira venha a desbancar outras cidades brasileiras nesse ranking e se tornar um dos melhores lugares para se viver no país.  Sua rica história, seus belos parques, e sua arquitetura marcante já fazem com que BH seja uma capital única e vibrante, e isso certamente contribuirá para que num futuro próximo a cidade seja um exemplo brasileiro de um dos melhores lugares para se viver no país.

Gus Dantas, Publisher gusdantaslife, sempre que possível visita a capital mineira e uma versão desta coluna foi anteriormente publicada em janeiro de 2016.


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