Lugares para Viajar Só

Qualquer lista onde determinamos o melhor de algo, seja este o melhor lugar para se visitar, ou o mais sofisticado lugar para se hospedar, ou o restaurante com a melhor comida, estamos sugerindo algo que nada mais é do que uma opinião baseada em uma experiência pessoal.  Nosso passado determina o presente e com base nessa premissa venho sugerir uma lista de três lugares para se visitar sozinho.  Lembrando que viajar sozinho pode não ser uma atividade para todos os gostos, mas que sem dúvida é uma experiência onde o comandante de toda e qualquer ação não depende de mais ninguém além de sí mesmo, e dos próprios gostos, vontades, prazeres, preferências, medos e superstições.  Então, de acordo com o que já viví e sentí em cada lugar onde finquei meus pés,  aqui vai a lista dos meus destinos prediletos para se viajar só.

Estados Unidos

Quem nunca foi fascinado pelo país que mais teve influência na cultura mundial por décadas e décadas e se manteve no topo da esfera global até os dias atuais?  Falo do colosso que são os Estados Unidos, seja com sua língua onipresente, seus filmes que permeiam salas de cinema por todo o mundo, músicas que vão do pop ao rock ao jazz em rádios e shows pelos quatro cantos do planeta, e imagens de cidades, praias e montanhas de beleza marcante que invadem a todo instante nosso imaginário por meio de canais de mídia e todo e qualquer veículo de comunicação.  Viajar sozinho pelos EUA é entrar em contato com tudo isso e ter a chance de mergulhar de ponta em um mar de informação que faz parte do nosso dia a dia midiático e do nosso imaginário.  Os EUA são um país onde tudo é correto, simples e fácil pois já tivemos de uma forma ou outra um contato prévio com muito do que o país tem a oferecer.  Desde um aluguel de carro, ao check in de um hotel, as suas impecáveis highways, a cordialidade das pessoas, visitar os EUA em ida solo é como estar vivendo o papel do personagem principal num dos muitos filmes que provavelmente já rodamos dentro do nosso imaginário. Os EUA foram o meu primeiro carimbo de passaporte e o meu primeiro contato com um país estrangeiro há mais de duas décadas atrás. Desde então foram tantas as cidades, praias, montanhas, desertos, parques nacionais desse país de proporções continentais que se não fosse pelo meu velho caderno de anotações já teria perdido a conta de todas as vezes que pude conhecer algo novo e interessante na terra do Tio Sam. E mesmo já tendo conhecido uma boa leva de lugares incríveis nos EUA, o fascínio por essa terra nunca cessa em existir. As cidades americanas em especial estão sempre se reinventando e a cada visita tem algo novo e interessante para mostrar. Elas podem não ter a riqueza cultural das cidades do velho mundo, mas sabem proporcionar ao turista, com sua infraestrutura e modernidade, experiências das mais gratificantes quando se viaja sozinho.

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Rocky Mountain National Park

 

Japão

Em contrapartida a familiaridade da língua e cultura americana, deixe tudo para trás e esqueça tudo o que é conhecido para entrar em um mundo onde nos tornamos crianças aprendendo tudo novo e tudo de novo.  O Japão, arquipélago de povo extremamente educado com suas mega cidades, seus templos e jardins milenares, sua comida e língua diversas, fazem com que qualquer viajante solo tome aulas diárias de civilidade,  educação e humildade em uma visita ao país.  A eficiência do metrô de Tóquio, a rapidez dos Shinkansen, ou trem bala, a educação de cada cidadão em tratar bem turistas mesmo sem entendê-los e a beleza de cada detalhe seja na arquitetura arrojada das cidades ou na fachada de um templo tradicional, o Japão encanta por suas peculiaridades, sua história e suas diferenças.  Não há como não ser tocado pela sensibilidade japonesa que está por toda a parte, e é impossível de se retornar ao país de origem sem ter aprendido algo com a delicadeza presente em tudo e em todos neste pequeno gigante que é também chamado de a terra do sol nascente. Mesmo não falando japonês, todas as manhãs na televisão de Tóquio, me encantava com belas imagens de cerejeiras, templos, ou gotas de água caindo sobre algum lago. Era esse o bom dia que os japoneses me davam todas as manhãs com o meu despertar bem cedo. Nada de crimes, mortes ou violência para começar o dia. Apenas belas imagens servindo de inspiração e motivação para se carregar pelo resto do dia. Nunca me esquecerei quando no movimentado metrô de Tóquio deixei cair algumas moedas no chão ao retirar meu cartão de metrô do bolso ao descer as escadas para sair da estação. A menina que vinha atrás de mim em sua roupa de colégio estendeu os braços para parar as pessoas que desciam as escadas atrás de nós e assim poder pegar minhas moedas do chão. Todos pararam e aguardaram que ela catasse todas as moedas e as entregasse de cabeça abaixada em com as mãos estendidas num ato de gentileza e deferência a mim. Nesse momento me sentí mais do que respeitado e acolhido por esse povo educado, correto e único no mundo.

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Toquio

 

 

Continente Europeu

Poder falar nossa própria língua um dia no pequeno país que nos deu origem e identidade, e já no outro entrar em um dos maiores museus do mundo na capital que é berço da América Latina espanhola, e no outro estar tomando um encorpado Bordeaux produzido em uma vinícola local, e no outro já estar degustando uma autêntica massa italiana feita em uma autêntica cozinha familiar, e ainda no outro já estar caminhando pelas ruínas de um dos berços da civilização moderna ao topo do Acrópole, é a mágica de se viajar pelo velho mundo.  Percorrer o continente europeu, seja de trem, avião, carro, bicicleta ou até mesmo a pé, e poder trocar de cultura, história, arquitetura e geografia num piscar de olhos e conhecer gente dos quatro cantos é programa para nenhum viajante solo botar defeito. Desde o meu primeiro mochilão adolescente viajando com um passe de trem ilimitado e trocando de moeda a cada parada do trem no início dos anos 90, até as mais recentes idas onde a unificação da moeda facilitou em muito a minha logística de “viajante gafanhoto”, a Europa sempre ofereceu tudo aquilo que essa minha carreira de viajante solo mais almejou: o aprendizado constante e incessante proveniente da multiplicidade de povos, línguas e paisagens do maior tecido multicultural do planeta que é o velho mundo Europeu. Seja na costa do Mediterrâneo, em montanhas alpinas, por pequenos vilarejos, ou nos grandes centros culturais de suas capitais, viajar pela Europa sempre me trouxe um enriquecimento cultural e pessoal ao me deparar com tanto em tão pouco espaço físico para quem está acostumado com as grandes distâncias como as que temos no Brasil.

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Roma

 

Mesmo sendo esta uma lista pessoal de lugares para se viajar sozinho, visitar e conhecer os EUA, Japão e Europa é algo imperdível e fascinante na ausência ou presença de qualquer companhia. Cada um de nós que tem a oportunidade de viajar deve se aventurar a descobrir algo novo e ser levado pela mágica que é explorar os encantos do nosso mundo. E para você quais lugares merecem entrar para a lista dos top 3 onde vale a pena viajar sozinho?

 

Gus Dantas, Publisher gusdantaslife, sempre planeja viajar, sozinho ou acompanhado, e uma versão condensada desta coluna foi anteriormente publicada em 2016.


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