Viajo Logo Existo

Sempre fico animado quando estou prestes a embarcar em uma viagem.  Em especial gosto muito de viajar aos Estados Unidos, terra que me acolheu por mais de uma década durante os meus anos como estudante universitário.  Quando viajo gosto de pensar que não estou simplesmente fazendo uma viagem, mas sim embarcando em uma aventura, porque mesmo já tendo viajado bastante por vários lugares ao redor do mundo, cada viagem, ou melhor aventura, é sempre uma ida ao desconhecido.  Embora já conheça bem os Estados Unidos sempre fica algo que não tive tempo de visitar anteriormente, ou algo novo que surgiu desde a minha última estada.  As cidades Americanas em especial tem essa capacidade de se reinventar, e a cada ano sempre surge algo interessante como um novo museu, ou uma mostra itinerante de algum artista conceituado, ou um super hotel de arquitetura arrojada, e claro, novos restaurantes de chefs que se tornaram celebridades por causa de algum reality show.

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Chicago

Muitos me perguntam porque viajar tanto se nem bem já cheguei de um lugar e já estou quase de partida a outro. A verdade é que no momento que inicio uma viagem já estou arquitetando a próxima.  Assim que tomo meu assento no avião, pego a revista da companhia aérea e vou direto às últimas páginas olhar o mapa de rotas.  Até a hora de decolar já olhei e inspecionei todo o mapa.  Também não é raro, aliás quase um ritual, já ter pego uma caneta e circulado todos os lugares que ainda gostaria de conhecer ou revisitar.  É como se fizesse uma aposta comigo mesmo sobre qual será o meu próximo destino.  Aposta essa que sempre saio ganhador, porque qualquer lugar que seja já será para mim como tirar um bilhete premiado de loteria. Confesso que minha sede de viajar é tanta que sempre mantenho uma necessaire com artigos de toalete pronta no caso de conseguir um bilhete promocional de última hora ou de sentir vontade de pegar a estrada e conhecer algum lugar próximo.  Assim todas essas aventuras, espontâneas ou detalhadamente planejadas, acabam se tornando realidade e acontecendo mais cedo ou mais tarde.

Desde pequeno quando visitava minha família no sul de Minas Gerais durante as férias, ou aos 14 anos quando fiz a minha primeira viagem à Flórida em uma daquelas excursões cheias de adolescentes ávidos para conhecer a terra do Mickey Mouse, já sabia que gostava de estar a caminho de algum lugar diferente.  Tanto fazia estar indo para a pequena cidade de Itajubá onde minha avó já estaria me esperando com a mesa cheia de doce de leite e macarronada de massa feita por ela mesma, ou embarcando com passaporte em mãos para um país de língua e costumes bem diferentes.  A sensação era sempre a mesma: estar indo rumo a outras paisagens, sons, cheiros, cores, sensações e experiências.

Uns podem argumentar que gosto de viajar tanto por estar insatisfeito com o meu quotidiano e assim viver buscando algo que sinto falta dentro do meu dia a dia.  Não acho que há nada de errado em suprir com uma viagem insatisfações da correria diária e buscar uma pausa, ou até mesmo uma fuga das obrigações e chatices que temos que lidar com as nossas rotinas.  Mas não acho que seja bem isso que me motiva a buscar uma aventura fora de casa, até mesmo porque aonde moro não deixo de viver aventuras.  Na minha pequena Armação dos Búzios, cidade praiana no litoral norte do Rio de Janeiro, tenho um mundo de opções que me tiram da mesmice, como novas trilhas pela mata, mergulhos em praias desconhecidas, ou andanças por ruas que nunca antes caminhei.

Acho que meu amor por viajar vem das emoções que sinto quando saio da minha zona de conforto. Viajar me traz, acima de tudo, humildade, porque tudo o que acho que já sei acaba me mostrando que ainda não sei muito e que há um mundo de coisas a aprender.  Pode parecer o maior dos clichês, e talvez seja mesmo, mas acredito demais na frase que diz que ‘viajar é a única coisa que nos deixa mais ricos’.

Viajar é uma forma de experimentar o novo, de se empurrar para limites desconhecidos, de enfrentar medos inatos, de questionar o que ficou para trás e sem dúvida de se inspirar para construir um futuro mais bacana.  Todas as vezes que retorno de algum lugar me sinto renovado e com a cabeça fervilhando de idéias.  Acho que o meu clichê pessoal é algo como ‘existo, logo viajo’.  Mas pensando um pouco melhor, acho que seria mais exato se decretasse meu lema pessoal com outro cliché ainda mais contundente: ‘viajo, logo existo!’

Gus Tucuns Ago 2014 236a

 

Gus Dantas, Publisher gusdantaslife, viaja e logo existe. Uma versão desta coluna foi anteriormente publicada em 2015


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